Abstract:
Indivíduos que migram de um local a outro, desde a Antiguidade, eram considerados como
“os outros”. Atribuições estas, relativas ao caráter provisório comumente atribuído à imigração,
limitam o acesso desses indivíduos a uma existência plena, e os condiciona ao status de não
pertencentes àquela sociedade. Considera-se que marcadores relativos à raça/etnia, ao gênero e à
classe influenciam de modo substancial nessa dinâmica. O presente artigo tem como objetivo discutir
sobre o trabalho de migrantes e refugiados(as), considerando a teoria interseccional a partir da
interlocução entre raça/etnia, gênero e classe. A interseccionalidade proporciona tomar tais
marcadores de modo indissociável, com influência mútua e, consequentemente, com implicações nas
experiências migratórias relativas ao trabalho e à vida. Argumenta-se que tal articulação contribui
como uma proposta teórico-analítica para os estudos sobre trabalho na migração e no refúgio. Como
principais contribuições, destacam-se: (i) a racialização a partir do processo migratório, que
homogeniza determinadas raças/etnias em detrimento de outras, produz diferenças e novas formas de
discriminação e desigualdade; (ii) os tensionamentos das relações de gênero no país de origem e de
destino, apontando para direcionamentos e opressões no mercado de trabalho a depender do gênero;
e (iii) a mobilidade social de classe - ascendente ou descendente - decorrente da migração e refúgio,
desencadeada em conjunto com os demais marcadores.