Abstract:
A morte é uma ocorrência natural para o ser humano, mas diversas contingências influenciam
a forma como ela pode ser enfrentada. No contexto hospitalar, profissionais da saúde possuem
contato assíduo com pacientes em processo de morte e morrer. Dentre os fatores que
permeiam esta integração com a terminalidade, há os fatores psicológicos que interferem na
relação e posteriormente, na qualidade da assistência a esses pacientes. Em virtude disso, sob
a perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a presente pesquisa investiga se
a presença da inflexibilidade psicológica impacta na percepção sobre a morte e nas estratégias
de enfrentamento da terminalidade. O presente estudo foi quantitativo e exploratório, derivado
da aplicação de instrumentos psicométricos (AAQ-II, CFQ-7 e CDS) em uma amostra de
profissionais da saúde atuantes em setores de Terapia Intensiva e Internação. A coleta de
dados foi realizada online e participaram 107 profissionais. Os dados indicam que a
inflexibilidade psicológica prediz as estratégias de enfrentamento com a finitude humana mais
do que variáveis sociodemográficas ou tempo de experiência no ambiente hospitalar. Os
resultados foram discutidos à luz da ACT e de referenciais da psicologia da saúde do luto.