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A psicoterapia é um processo clínico voltado à promoção do autoconhecimento, regulação
emocional e redução do sofrimento, porém historicamente foi estruturada sobre um modelo
presencial rígido, voltado a um paciente ideal capaz de deslocar-se, comunicar-se oralmente e
permanecer em setting tradicional. Esse formato exclui uma parcela expressiva da população,
criando barreiras que comprometem tanto o início quanto a continuidade do tratamento. Nesse
cenário, o objetivo deste estudo foi revisar criticamente a literatura científica sobre iniciativas,
adaptações e práticas que promovem acessibilidade na psicoterapia, especialmente para
populações que enfrentam barreiras físicas, geográficas ou psicológicas. Trata-se de uma
revisão narrativa realizada a partir de buscas em bases científicas, reunindo estudos empíricos,
documentos normativos e revisões que abordam intervenções, tecnologias assistivas e
modalidades clínicas voltadas à inclusão e continuidade do cuidado psicológico. Os achados
indicam uma ruptura importante no entendimento de acessibilidade mostrando que não é o
paciente que falha em adequar-se à clínica, mas a clínica que precisa adaptar-se ao paciente. A
telepsicologia, formatos híbridos, flexibilização de duração das sessões, comunicação
alternativa, uso de recursos visuais, Libras e suporte tecnológico aparecem como estratégias
decisivas para ampliar adesão e diminuir abandono. Evidencia-se também que a maior
barreira não é tecnológica, mas atitudinal, pois observou-se escassez da presença de
psicoterapeutas capacitados para este tipo de atendimento. Conclui-se que práticas acessíveis
fortalecem o vínculo, aumentam permanência e tornam a psicoterapia realmente inclusiva. A
literatura aponta a necessidade de maior capacitação profissional, atualização normativa e
ampliação das discussões sobre acessibilidade nas formações em Psicologia. |
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