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Vivemos em um tempo em que o próprio tempo parece escapar, dissolvendo-se na
aceleração das rotinas e na sobrecarga de tarefas. Esse processo, como aponta
Byung-Chul Han, resulta em um “excesso de positividade”, que exige sujeitos
capazes de múltiplas tarefas, enquanto reduz o espaço para o bem viver, substituído
pela lógica da sobrevivência. É nesse cenário que este estudo busca refletir sobre a
permanência e o sentido das relações interpessoais, tomando como referência a
obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. A fábula, ao retratar o
universo do príncipe e as relações que constrói, em particular, com a rosa e a
raposa, oferece imagens para pensar o lugar do afeto, da presença e do tempo no
estabelecimento de vínculos humanos. Metodologicamente, a investigação assume
caráter qualitativo e interpretativo, centrando-se na análise dos diálogos que
explicitam a criação de laços. O aporte teórico advém da teoria de John Bowlby
sobre os vínculos interpessoais que contribui para entender como as formas como
as pessoas aprendem a se relacionar influenciam em relacionamentos futuros. A
análise evidencia que a relação entre o príncipe, a raposa e a rosa revelam a
necessidade de investir tempo, de “cativar”, como condição para o surgimento de
vínculos significativos. Entretanto, essa dimensão temporal aparece fragilizada nos
contextos contemporâneos, nos quais a aceleração tende a reduzir a importância
das práticas de cuidado e convivência. Conclui-se, de modo inicial, que as lições da
fábula permitem tensionar os limites da vida acelerada e sugerem a necessidade de
resgatar a centralidade do tempo, da atenção e do cuidado como fundamentos das
relações humanas. |
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