Abstract:
O estudo em questão investigou como empreendedoras residentes em bairros
periféricos de Canoas-RS enfrentaram o processo de reconstrução de seus negócios
após as enchentes de maio de 2024. A pesquisa buscou compreender a
problemática e a forma que essas mulheres enfrentaram a perda de impactos
materiais, emocionais e estruturais causados pelo desastre, bem como quais
estratégias buscaram para retomar suas atividades econômicas. A metodologia
utilizada foi qualitativa e exploratória, baseada em entrevistas semiestruturadas com
dez empreendedoras dos bairros Harmonia, Mathias Velho, Rio Branco e São José.
A análise de conteúdo, conforme Bardin (2011), permitiu a categorização dos
principais achados: motivações para empreender, impactos da enchente, estratégias
de retomada, redes de apoio e percepções de mudança. Os resultados revelam
prejuízos significativos, como perda total de mercadorias, espaços de trabalho e
queda da renda total ou quase total, somados ao abalo emocional, traumas e
sensação de insegurança. A retomada ocorreu de forma lenta, marcada pela
necessidade de reorganização financeira, adaptação dos meios de trabalho e
reconstrução simultânea das residências. As redes de apoio - em muitas vertentes -
foram essenciais para o recomeço, destacando o papel da solidariedade em
momentos de crise. As entrevistadas também relataram aprendizagens,
fortalecimento pessoal e esperança, demonstrando resiliência e capacidade de.
Portanto, conclui-se que o empreendedorismo feminino periférico desempenhou
papel central na reconstrução econômica e emocional das comunidades afetadas.