Abstract:
O presente trabalho discute como a clínica psicanalítica com crianças revela impasses nos
processos de constituição e amadurecimento psíquico próprios da contemporaneidade. A partir
de uma experiência de estágio em psicoterapia infantil, evidencia-se que dificuldades de
aprendizagem, comportamentos agressivos, desânimo e empobrecimento do brincar expressam
falhas ambientais, fragilidade dos vínculos familiares e pressões socioculturais marcadas pelo
excesso, imediatismo e aceleração. Com base em autores como Winnicott, Ferenczi,
argumenta-se que o amadurecimento depende de um ambiente suficientemente bom, capaz de
sustentar um espaço potencial para o brincar criativo e para a emergência do sujeito. O estudo
adota o método psicanalítico e o ensaio teórico como caminhos de investigação, articulando
vivências clínicas e reflexão conceitual. Conclui-se que a clínica infantil testemunha e enfrenta
modos específicos de sofrimento contemporâneo, exigindo do terapeuta presença sensível,
elasticidade técnica e disponibilidade para “sentir com” a criança.