Abstract:
O objetivo do artigo consiste em compreender como o diagnóstico infantil pode
impactar na subjetividade da criança. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de
cunho qualitativo, que buscou seu corpus investigativo a partir de uma revisão de
literatura acerca da temática. A análise seguiu as orientações no que diz respeito à
técnica de Análise de Conteúdo, de Laurence Bardin, sendo os achados
categorizados em quatro eixos temáticos: diagnóstico, medicalização e rotulação;
desresponsabilização parental; psicanálise e teoria, e por fim, o uso de telas. Os
resultados mostram que o diagnóstico, quando aplicado de maneira precipitada ou
descontextualizada, pode gerar rotulações rígidas e intervenções centradas na
medicalização, produzindo impactos significativos na constituição subjetiva infantil.
Além disso, observou-se que a desresponsabilização parental contribui para a
transferência de demandas educativas e afetivas para o campo clínico, favorecendo
interpretações patologizantes do comportamento. A psicanálise surge como
contraponto ao modelo biomédico, destacando a importância da singularidade, da
história e dos vínculos no entendimento do sintoma. Por fim, o uso excessivo de
telas mostrou-se um fator relevante na produção de sinais que podem ser
confundidos com quadros do neurodesenvolvimento, levando a diagnósticos
equivocados e intervenções inadequadas.