Abstract:
O estudo investigou o uso de plantas medicinais entre imigrantes residentes nomunicípio de Canoas (RS), buscando compreender como se dá a preservação eadaptação desses saberes tradicionais no contexto migratório. O objetivo foiidentificar as principais plantas utilizadas em seus países de origem, analisar suasdenominações locais e avaliar possíveis barreiras linguísticas e de acesso a essasespécies no Brasil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter transversal edescritivo, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com sete imigrantes,majoritariamente venezuelanos e um haitiano. A análise seguiu o método de Análisede Conteúdo de Bardin. Os resultados indicaram que todos os participantesutilizavam plantas medicinais antes da migração e que seis deles mantiveram o usono Brasil, ainda que com adaptações às espécies disponíveis. Entre as plantas maiscitadas destacaram-se Plectranthus amboinicus, Cymbopogon citratus, Phyllanthusniruri, Peumus boldus e Aloe vera. As falas revelaram dificuldades no acesso àsplantas e aos serviços de saúde, bem como barreiras linguísticas que comprometema identificação das espécies. Observou-se forte correspondência entre o saberpopular dos imigrantes e as evidências científicas descritas na literatura, reforçandoa importância do conhecimento tradicional. Como produto técnico, desenvolveu-secartilha bilíngue em português, espanhol e francês com orientações sobre o usocorreto das plantas e suas equivalências linguísticas, visando facilitar o acesso àinformação e valorizar a diversidade cultural