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Objetivo: Avaliar possíveis diferenças relacionadas ao sexo na investigação
diagnóstica e no manejo de adultos atendidos por dor torácica em um serviço de
emergência especializado em cardiologia.
Metodologia: Estudo de coorte retrospectivo realizado em um hospital terciário
especializado em cardiologia, localizado no sul do Brasil. Foram incluídos prontuários
de pacientes com idade ≥18 anos atendidos no serviço de emergência entre 2022 e
2023 com queixa principal de dor torácica não traumática. O desfecho primário foi
admissão hospitalar após o atendimento na emergência. Os desfechos secundários
incluíram realização de eletrocardiograma nas primeiras duas horas, dosagem de
troponina nas primeiras duas horas, realização de cateterismo cardíaco e admissão
em unidade de terapia intensiva (UTI).
Resultados: Foram incluídos 1037 pacientes, dos quais 493 (47,5%) eram homens e
544 (52,5%) mulheres. A taxa de admissão hospitalar foi semelhante entre homens e
mulheres (19,5% vs. 21,5%; p = 0,464). Em relação à investigação diagnóstica inicial,
mulheres foram menos frequentemente submetidas à realização de
eletrocardiograma nas primeiras duas horas (89% vs. 96%; p < 0,001) e à dosagem
de troponina no mesmo período (76% vs. 89%; p < 0,001). Mulheres também foram
menos frequentemente submetidas a cateterismo cardíaco (5,7% vs. 11,6%; p <
0,001) e apresentaram menor frequência de internação em UTI (3,1% vs. 7,5%; p <
0,001). Após ajuste para idade, raça, classificação de risco na triagem e
comorbidades, o sexo feminino permaneceu associado a menor probabilidade de
realização de eletrocardiograma nas primeiras duas horas (OR 0,33; IC95% 0,19–
0,56) e de dosagem de troponina nas primeiras duas horas (OR 0,36; IC95% 0,25–
0,51). Após ajuste adicional para diagnóstico final, o sexo feminino também esteve
associado a menor probabilidade de realização de cateterismo cardíaco (OR 0,40;
IC95% 0,21–0,76) e de internação em UTI (OR 0,40; IC95% 0,19–0,78).
Conclusão: Mulheres atendidas por dor torácica em um serviço de emergência
especializado em cardiologia foram menos frequentemente submetidas à
investigação diagnóstica precoce e a estratégias invasivas de manejo, mesmo após
ajuste para características clínicas relevantes. Esses achados sugerem a presença
de diferenças sistemáticas no processo assistencial ao longo da cascata de cuidado
da dor torácica. |
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