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A segurança do paciente na Atenção Primária à Saúde (APS) é dimensão estratégica
para a redução de danos relacionados à assistência. Este estudo objetivou identificar
as principais barreiras enfrentadas por enfermeiros assistenciais e gestores no
processo de notificação de eventos adversos à Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Canoas, Rio Grande do
Sul. Trata-se de estudo censitário, de abordagem quantitativa descritiva, realizado
com 32 profissionais, por meio de questionário estruturado baseado na versão
brasileira do Hospital Survey on Patient Safety Culture (HSOPSC). Os dados foram
analisados por estatística descritiva, com cálculo de frequências e intervalos de
confiança de 95% (método de Wilson), além de testes não paramétricos (WilcoxonMann-Whitney), teste exato de Fisher, correlação de Spearman, regressão logística
univariada e análise exploratória de cluster (α=5%). Os resultados evidenciaram baixo
nível de conhecimento sobre notificação de eventos adversos (59,4% relataram
conhecimento baixo ou muito baixo) e ausência de capacitação prévia (81,3%). As
principais barreiras foram sobrecarga de trabalho (78,1%), falta de compreensão do
processo (68,8%) e capacitação insuficiente para uso de tecnologia da informação
(68,8%). Apenas 6,3% perceberam ambiente totalmente favorável à notificação. O
suporte institucional inadequado associou-se significativamente a maior carga de
barreiras (p=0,011), configurando-se como principal fator modificável. Como produto
técnico, foi elaborada cartilha informativa sobre a notificação de eventos adversos à
Anvisa que será disponibilizada, de forma digital, a todas as UBS do município.
Conclui-se que barreiras organizacionais, culturais e tecnológicas comprometem a
efetividade da notificação na APS, reforçando a necessidade de capacitação,
infraestrutura adequada e fortalecimento de cultura não punitiva. |
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