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Integrada à linha de pesquisa Memória, Cultura e Gestão, esta tese parte do
pressuposto de que a sustentabilidade urbana contemporânea, consolidada na
Agenda 2030 e na Nova Agenda Urbana, precisa transcender visões tecnocráticas
que negligenciam as dimensões imateriais da vida citadina, sobretudo diante da
lacuna teórica e empírica no monitoramento da dimensão cultural no Brasil. Diante da
persistente inviabilidade analítica de indicadores intangíveis, este trabalho investiga
de que maneira a memória, enquanto categoria analítica estruturante, pode
reconfigurar os modelos de avaliação urbana. O objetivo central é desenvolver um
modelo teórico-metodológico que reconfigure os processos de avaliação de
sustentabilidade urbana, incorporando de forma estruturante a memória coletiva e a
identidade dos cidadãos por meio de suas dimensões simbólicas, culturais e afetivas.
A fundamentação metodológica ancora-se na Design Science Research (DSR),
selecionada por sua natureza prescritiva voltada à criação de artefatos funcionais
aplicados e validados no município de Canoas, no Rio Grande do Sul. Os resultados
obtidos revelaram uma profunda dissonância entre o robusto crescimento econômico
do município e a experiência vivida pela população, evidenciada por uma média geral
de percepção de apenas 2,37. Os dados quantitativos demonstraram que o
planejamento municipal é percebido como excessivamente tecnocrático, com o
indicador de "Inclusão da Experiência Cotidiana nas Decisões" registrando a menor
pontuação (2,02), confirmando o distanciamento entre a gestão técnica e a alma
urbana. Como contribuição final, a tese apresenta o refinamento do artefato em sua
segunda versão, propondo indicadores técnicos inéditos como o Índice de
Acessibilidade a Serviços Públicos Culturais (IASC) e o Grau de Efetividade da
Governança Cultural (GEC), capazes de operacionalizar o "sentir" e o "medir" de
forma sinérgica. Conclui-se que a inteligência urbana reside na capacidade da cidade
em dialogar com a alma humana que habita entre seus edifícios, oferecendo aos
gestores públicos uma regra tecnológica e uma bússola ética para a reconstrução de
vínculos afetivos e sociais no planejamento de cidades mais resilientes e humanas. |
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