Abstract:
Este trabalho tem como tema a cultura organizacional, compreendida a partir do
modelo teórico de Schein (2009), que estrutura em três níveis: artefatos, valores
compartilhados e pressupostos básicos. O estudo busca responder à seguinte
questão: como se configuram as dinâmicas da cultura organizacional em uma
unidade de uma cafeteria da cidade de Porto Alegre? O objetivo geral consiste em
analisar essas dinâmicas, identificando as especificidades administrativas da
empresa, os comportamentos e pressupostos que compõem sua cultura, os
artefatos e valores compartilhados presentes no cotidiano organizacional, além da
percepção externa de clientes sobre a marca. Metodologicamente, a pesquisa
caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa, com
inspiração etnográfica. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas
semiestruturadas com oito colaboradores, entre funcionários, gestores e o fundador
da empresa, complementadas por observações sistemáticas do cotidiano
organizacional registradas em diário de campo. Os resultados evidenciam uma
cultura organizacional coerente entre seus três níveis: artefatos como a ambientação
acolhedora, o uniforme simbólico e os elementos religiosos comunicam valores
como cuidado, diversidade e transparência, que por sua vez se sustentam em
pressupostos profundamente naturalizados pelos membros da equipe, como a
inseparabilidade entre trabalho e afeto e a liderança exercida pelo exemplo e pela
presença. O estudo revela ainda que essa cultura não é estática, tendo enfrentado
tensões durante um período de expansão acelerada que dissociou temporariamente
os valores declarados das práticas efetivas, situação posteriormente revertida por
meio de uma reestruturação consciente voltada à proximidade e ao propósito original
da marca. Conclui-se que é possível conciliar uma cultura organizacional
fundamentada no afeto com a viabilidade do negócio, contribuindo para os estudos
sobre cultura organizacional em pequenas e médias empresas brasileiras.