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Esta dissertação analisa de que modo as memórias afetivas de professores
dos Anos Iniciais da rede municipal de Esteio/RS influenciam a construção de
vínculos pedagógicos e contribuem para os processos de aprendizagem. A
pesquisa vincula-se à linha de Memória e Linguagens Culturais e parte do
pressuposto de que as experiências afetivas e as memórias coletivas
constituem dimensões estruturantes das práticas educativas. A abordagem
metodológica é qualitativa, de orientação hermenêutica, fundamentada na
escuta e interpretação de narrativas docentes. Como técnica de produção de
dados, foi utilizado o grupo focal, realizado com quatro professoras da rede
municipal, em encontros colaborativos que possibilitaram a emergência de
memórias, experiências e reflexões compartilhadas (Gatti, 2005). A análise dos
dados foi realizada por meio da hermenêutica textual-narrativa, organizada em
eixos temáticos relacionados à memória, à afetividade e à aprendizagem. O
referencial teórico fundamenta-se em Halbwachs (2006) e Ricoeur (2007), no
campo da memória social; em Wallon (1995) e Vygotsky (1998), quanto às
relações entre afetividade e desenvolvimento humano; e em Freire (1996), no
que se refere à centralidade dos vínculos e das relações dialógicas nos
processos educativos. Os resultados evidenciam que os vínculos afetivos
construídos
no cotidiano escolar influenciam os processos de
(re)conhecimento, participação e aprendizagem dos estudantes, além de
contribuírem para a ressignificação das práticas pedagógicas e da formação
docente. Conclui-se que a afetividade, compreendida à luz das memórias
docentes, constitui uma dimensão estruturante das práticas educativas, pois
favorece uma educação mais humanizadora e dialógica, capaz de reconhecer
a potência dos repertórios culturais, das narrativas de vida e das experiências
de aprendizagem como fontes de criatividade pedagógica e de formação
humana. |
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