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Esta pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em
Memória Social e Bens Culturais (PPGMSBC) da Universidade La Salle, vinculada à
linha de pesquisa Memória, Cultura e Gestão. Insere-se no campo dos estudos da
Memória Social e das Relações Raciais, partindo da compreensão de que a
memória coletiva brasileira é atravessada por processos de silenciamento e
apagamento das experiências da população negra, permanentemente tensionados
por práticas de resistência e reconstrução da memória. A pesquisa teve como
objetivo investigar como o letramento racial pode contribuir para a reconstrução da
memória coletiva no contexto brasileiro, a partir da experiência da Formação em
Letramento Racial JG. Trata-se de uma pesquisa de abordagem mista, combinando
análises quantitativas (estatística descritiva) e qualitativas (análise de conteúdo),
realizada por meio de um instrumento disponibilizado em formulário eletrônico
(Google Forms) e encaminhado a egressos das nove turmas da Formação,
realizadas entre 2024 e 2026. Responderam ao instrumento 64 participantes,
correspondentes a 36,2% dos egressos. Os resultados evidenciaram a ampliação da
consciência crítica dos participantes, favorecendo a compreensão das
desigualdades raciais em suas dimensões históricas, estruturais e institucionais,
bem como a incorporação de referências relacionadas à ancestralidade, à
resistência negra, à identidade, ao pertencimento e ao protagonismo da população
negra. Esse processo contribui para o enfrentamento da dupla morte, compreendida
como a eliminação física de sujeitos negros acompanhada pelo apagamento social
de suas memórias, trajetórias e contribuições. Os achados demonstraram que o
letramento racial ultrapassa a dimensão conceitual, configurando-se como um
processo de revisão, ampliação e reconstrução das referências mobilizadas pelos
sujeitos para compreender a realidade social e, consequentemente, como um
dispositivo de reconstrução da memória coletiva. Assim, pode favorecer a reinscrição
de experiências negras historicamente marginalizadas e a construção de uma
memória coletiva mais plural, democrática e inclusiva. |
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