Abstract:
Esta dissertação investiga a Encíclica Laudato si’ como paradigma educativo para a
construção de uma Pedagogia da Ecologia Integral orientada ao desenvolvimento de
capabilities, entendidas como liberdades substantivas que permitem a indivíduos e
comunidades enfrentar de modo crítico e criativo a crise climática. O objetivo central deste
estudo é analisar como essa encíclica pode orientar o desenvolvimento de capacidades
educacionais voltadas para a formação de agentes de mudança comprometidos com a justiça
social e a sustentabilidade ambiental. Articulando a Teoria das Capacitações de Amartya Sen
e Martha Nussbaum com o magistério de Francisco em Laudato si’ e Laudate Deum, o estudo
interpreta a ecologia integral como horizonte normativo capaz de reconfigurar finalidades,
conteúdos e métodos da educação ambiental contemporânea. A pesquisa, de abordagem
qualitativa, fundamenta-se em análise documental e triangulação de fontes, incluindo
documentos oficiais do Vaticano, produção acadêmica recente e materiais formativos de
iniciativas como Scholas Occurrentes, Movimento Laudato si’ e Pacto Educativo Global. A
análise de conteúdo permitiu identificar categorias como participação política,
reconhecimento cultural, inovação curricular, espiritualidade ecológica e práticas de
solidariedade intergeracional, evidenciando que a pedagogia inspirada pela encíclica desloca a
educação do plano estrito da transmissão técnica para o fortalecimento de capacidades de
leitura crítica da realidade, vinculação comunitária e ação coletiva transformadora. Os
resultados indicam que experiências educativas animadas pela Ecologia Integral ampliam
oportunidades reais de agência socioambiental, especialmente em contextos de
vulnerabilidade, ao associar formação ética, diálogo de saberes e engajamento político em
projetos de justiça climática. Em conjunto, o trabalho demonstra que a Laudato si’ oferece
uma matriz teórico‑metodológica consistente para pensar políticas públicas e práticas
pedagógicas comprometidas com o desenvolvimento humano em sua dimensão
socioambiental, contribuindo para a formação de cidadãos ecológicos sensíveis à Casa
Comum e capazes de intervir em seu destino.