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Esta Tese de Doutorado trata das Danças Afros, expressões artísticas e culturais
muito importantes para grupos de profissionais que recebem os conhecimentos desta
arte por transmissão oral e corporal por parte de seus ancestrais, ou por seus
professores. Alguns desses profissionais tornam-se também professores que
oferecem os meios efetivos de acolhimento desta arte tão importante para a cultura
negro-africana e de seus alunos. Sendo assim, a pergunta que guia este trabalho é
como o professor de Danças Afros acolhe e compreende essas danças em sua
profissão? Como objetivo geral, o trabalho busca identificar, nas narrativas
autobiográficas de professores de danças afros, como ocorre o acolhimento dessas
danças pelo seu corpo, como arte e cultura em sua profissão e como isso se relaciona
a sua ancestralidade. O percurso metodológico, de cunho qualitativo, incluiu
entrevistas qualitativas abertas com esses profissionais de Danças afros como
instrumentos de coleta de dados para construção de documentos orais, amparada por
Yin (2016) e pelo campo de estudos da Memória Social e Bens Culturais (Candau,
2018 e Ricoeur, 2003; 2007). Apoiando-se nos conceitos de Escrevivência (Evaristo,
2020; Evaristo de Brito, 1996), Oralitura (Martins, 2021a), Autobiografia (Josso, 1999;
2002) e Autoficção (Duarte, 2010), trata-se de uma pesquisa que envolveu histórias
de vida e contextos sócio-históricos, por meio do qual memória e identidade tornam
se também muito importantes. A investigação revelou que os profissionais
colaboradores compartilham trajetórias semelhantes com as danças, iniciadas na
infância em ambientes familiares ou comunitários, embora as danças afros tenham
sido historicamente marcadas por invisibilidade e só recentemente acessível, como
apareceu em um dos relatos. A formação dos professores ocorreu de modos distintos:
de forma autodidata e depois em contato com mestres das culturas afro, para alguns.
Outros tiveram orientação de professores que hoje consideram referências em suas
vidas. Os docentes reconhecem a ancestralidade em sua prática cotidiana e nas
aulas, diferenciando o sagrado dos terreiros do aspecto artístico das performances.
Quanto ao corpo, suas experiências como praticantes, alunos e professores os
constituíram como corpos negros conscientes da responsabilidade social e política de
assumir identidade e ancestralidade negras. E embora atuem em diferentes contextos,
todos enfrentam lutas semelhantes contra o racismo e outras formas de discriminação. |
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