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Introdução: A saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores têm ganhado destaque no
contexto das transformações laborais intensificadas pelo contexto pós-pandemia, especialmente
com a adoção de modelos mais flexíveis como o teletrabalho. O equilíbrio entre vida pessoal e
profissional pode ser afetado nessa modalidade, influenciando indicadores de qualidade de vida
e o risco de burnout. Aspectos como sobrecarga, falta de controle e demandas ampliadas
tendem a aumentar a vulnerabilidade ao esgotamento, enquanto flexibilidade, autonomia e
suporte institucional favorecem o bem-estar. Objetivo: Analisar a relação entre adesão ao
teletrabalho, qualidade de vida e sintomas de burnout em servidores técnico-administrativos que
atuam na pós-graduação da UFRGS. Método: trata-se de um estudo quanti-qualitativo,
transversal, realizado por meio de aplicação de questionário composto por questões
sociodemográficas, somado aos instrumentos Quality of Life Enjoyment and Satisfaction
Questionnaire – Short Form (Q-LES-Q-SF) e Brief Burnout Evaluation Scale (BBES), contendo
ainda uma questão aberta. Foram realizados testes de associação para investigar relações entre
teletrabalho, qualidade de vida e burnout, bem como de potenciais fatores associados aos
desfechos em análise. Para o componente qualitativo, foi empregada a análise temática para
avaliação da questão aberta. Resultados: Não foram observadas associações significativas entre
frequência de teletrabalho e escores de qualidade de vida (p = 0,740) ou burnout (p = 0,938),
possivelmente em razão do tamanho da amostra. Entretanto, verificou-se relação consistente
entre menores escores de qualidade de vida e maior ocorrência de sintomas de burnout (Rho de
Spearman = -0,410; p = 0,009). Em relação à questão aberta, os achados evidenciam duas
temáticas principais: 1) Deslocamento e Saúde Mental e 2) Qualidade de Vida e Modalidade de
Trabalho. Conclusão: Os achados sugerem que o teletrabalho, isoladamente, não determina
níveis de qualidade de vida ou burnout entre os servidores analisados. Contudo, a associação
entre baixa qualidade de vida e maior presença de sintomas de burnout verificada nas análises
quantitativas, bem como as relações entre deslocamento e saúde mental e as percepções sobre
qualidade de vida e modalidade de trabalho, evidenciadas nas análises qualitativas, indicam a
necessidade de ações institucionais contínuas para promoção da saúde, equilíbrio entre
demandas e recursos, e fortalecimento de políticas de bem-estar no trabalho. |
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