Abstract:
Esta tese investiga o Arquivo Pessoal de Thiago Matheus Würth (1893–1979), compreendendo
o como suporte material de memórias, espaço de produção identitária e meio de articulação de
rede de sociabilidade. O estudo analisa a intencionalidade na constituição do acervo e evidencia
como sua organização ultrapassa a dimensão privada, projetando-se como patrimônio cultural
e social. A pesquisa adota abordagem qualitativa e documental, fundamentada na análise de
fotografias, cartas, diários, recortes de imprensa e registros administrativos. A partir desses
materiais, foram identificadas as estratégias de preservação da memória empreendidas por
Thiago Würth, suas formas de escrita de si e a construção de uma trajetória pública ancorada
em instituições educacionais, movimentos sociais e espaços culturais. O trabalho está
estruturado em dois eixos principais: a constituição e curadoria do arquivo e a rede de
sociabilidade reveladas nos documentos. O primeiro eixo destaca o arquivo como projeto
autobiográfico, enfatizando sua função social e o diálogo entre memória individual e coletiva.
O segundo eixo examina a atuação de Thiago Würth em diferentes campos — como a fundação
do Instituto Pestalozzi, a participação na Revolução de 1930, o movimento sindical docente, a
Cruz Vermelha, congressos nacionais e internacionais e a Academia Riograndense de Letras,
evidenciando sua inserção em circuitos de legitimidade intelectual, cultural e política. A análise
demonstra que o arquivo funciona como território simbólico, em que escolhas de preservação
revelam intencionalidade e desejo de permanência. Além de registrar trajetórias pessoais, o
acervo ilumina transformações históricas e sociais, permitindo compreender a formação de
identidades coletivas e a circulação de ideias em diferentes esferas. Ao reconstruir vida e obra
de Thiago Würth, a tese reafirma o papel dos arquivos pessoais na preservação da memória e
na constituição de legados culturais.